quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

ESTRELA DA MANHÃ


A Estrela da Manhã

Eu quero a estrela da manhã
Onde está a estrela da manhã?
Meus amigos meus inimigos
Procurem a estrela da manhã

Ela desapareceu ia nua
Desapareceu com quem?
Procurem por toda a parte

Digam que sou um homem sem orgulho
Um homem que aceita tudo
Que me importa? Eu quero a estrela da manhã

Três dias e três noites
Fui assassino e suicida
Ladrão, pulha, falsário

Virgem mal-sexuada
Atribuladora dos aflitos
Girafa de duas cabeças
Pecai por todos pecai com todos

Pecai com os malandros
Pecai com os sargentos
Pecai com os fuzileiros navais
Pecai de todas as maneiras

Com os gregos e com os troianos
Com o padre e com o sacristão
Com o leproso de Pouso Alto

Depois comigo

Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas
comerei terra e direi coisas de uma ternura tão simples
Que tu desfalecerás
Procurem por toda parte
Pura ou degradada até a última baixeza
eu quero a estrela da manhã.


Porquê o poema? Por causa da escultura. Que se chama Morning star. "Encontrei-a" no meio da arqueologia doméstica, que está a ser um manancial de informação. Ou melhor, encontrei a fotografia (o original é bem melhor que esta reprodução telemovelística, juro), feita no Rhode Island School of Design Museum, na primavera de 2004.

Escultura de Thomas Crawford (1814-1857), datada de 1856. Poema de Manuel Bandeira.

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