sexta-feira, 23 de junho de 2017

ORA CÁ VAMOS NÓS

Aceitei com prazer este cargo.
Estamos juntos.

REGRESSO A PORTO MOURÃO

My River runs to thee—
Blue Sea! Wilt welcome me? 
My River wait reply—
Oh Sea—look graciously—
I'll fetch thee Brooks
From spotted nooks—
Say—Sea—Take Me!



O poema de Emily Dickinson fez mais sentido, naquela manhã de regresso a Porto Mourão. Havia água e o Pego dos Marmeleiros ganhava o esplendor de outrora. Atrás, à esquerda, tínhamos a Atalaia de Porto Mourão. À direita, mais atrás e mais longe, fica a Quinta da Esperança. O bucolismo do rio, verde e silencioso, era de cena bíblica, embora não tenha vivido nos tempos da Bíblia.

Há muito que não vinha a Porto Mourão. Regressarei em breve. A pé, como em tempos fazia.

MEDALHA DE HONRA DO MUNICÍPIO DE MOURA x 7

Tal como foi anunciado há quatro meses, são sete as entidades que irão receber a  Medalha de Honra do Município de Moura:

Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Moura

Centro Recreativo Amadores de Música "Os Leões"

Círculo Artístico Musical Safarense

Grupo Desportivo Amarelejense

Moura Atlético Clube

Sociedade Filarmónica União Musical Amarelejense

Sociedade Filarmónica União Mourense "Os Amarelos"

quinta-feira, 22 de junho de 2017

ERA UMA VEZ A ÁGUA

Quase dois anos depois, a exposição encerrou.

Que nos deixou?
Três prémios.
Quatro mostras temporárias que a acompanharam ao longo deste tempo.
Sete mil visitantes.
Duas visitas especiais: Presidente da República e embaixadora da Argélia.
Atividades como“Do Castelo ao Museu”, “Dá-me uma gotinha de água” e “Da cidade à ribeira – percursos à sombra da água”, atividade promovida no âmbito da Bolsa de Turismo de Lisboa;
Uma câmara aberta denominada “Água – património de todos”
Duas edições do Fórum 21;
A edição da Valsa da Água Castello “Sallúquia a Bella Moura” de Alfredo Keil;
A edição do catálogo da exposição.

Temos motivos para contentamento? Algum. Próximo desafio para a equipa? A próxima exposição, sobre metais, que abrirá no final do verão / início do outono. Mais informo que, contra certas e determinadas opiniões, assumirei de novo a coordenação técnica do projeto. Porquê? No essencial, porque gosto de o fazer.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

SHORT CUTS

É o começo de um belo filme de Robert Altman (1925-2006). Short cuts, baseado em nome histórias de Raymond Carver, foi rodado em 1993 e tem a típica trama altmaniana de histórias paralelas que se vão cruzando. O cinema já ia faltando aqui no blogue. Viva Altman! Um dia destes passo aqui a involuntária cena de strip de Hot Lips (do filme MASH, deste mesmo autor).

terça-feira, 20 de junho de 2017

REFAZENDO O CV

Daqui a pouco, daqui a muito pouco, a minha vida toma outro caminho. É preciso rever e repensar uma série de coisas. "Há quanto tempo não atualizas o currículo?", perguntou um colega no Fórum 21. Sei lá, um ou dois anos... Começo a recuar no tempo e a entrar em stress. Nem 2017, nem 2016, nem 2015, nem 2014, nem 2013, nem 2012, nem 2011... Bonito serviço. Arranco com um trabalho de pesca à linha, em ficheiros, no gmail, em notas manuscritas. Arguições de teses, artigos já esquecidos ou de que não tomara nota, uma balbúrdia por resolver. Horas de almoço e noites passadas nisto. Não uso o modelo do europass (que detesto) nem o da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (que também serei obrigado a atualizar, ainda que abomine aquele comboio de atividades que temos de lançar nas nossas páginas pessoais). Trabalho à maneira antiga, mas isso deve ser porque nasci noutro século.

Já está quase. 31 anos de administração pública numa vintena de páginas. A melancolia de pensar que a próxima etapa profissional será quase a derradeira. 

BEJA - O CÉU QUE NOS PROTEGE

Das escavações da Rua da Moeda ao Museu Regional o percurso é curto. No sábado de manhã parecia que se eternizava, sob um sol mais quente que nunca. Ao longo da Rua dos Infantes, sombrinhas às cores davam um tom protetor. À entrada do museu, a cabeça de Júlio César espera-nos, na sua frieza de milénios.

O tempo à nossa frente não é ilimitado (certo, Maria da Conceição Lopes?), e não sei quantas vezes me lembrarei de ver o nascer da lua. Olhando as escavações da Rua da Moeda e vendo os tesouros pouco divulgados do Museu Regional fico, cada vez mais, com a convicção que sítios como estes são, ou têm de ser, encenações do tempo.




“Death is always on the way, but the fact that you don't know when it will arrive seems to take away from the finiteness of life. It's that terrible precision that we hate so much. But because we don't know, we get to think of life as an inexhaustible well. Yet everything happens only a certain number of times, and a very small number really. How many more times will you remember a certain afternoon of your childhood, some afternoon that's so deeply a part of your being that you can't even conceive of your life without it? Perhaps four or five times more. Perhaps not even that. How many more times will you watch the full moon rise? Perhaps twenty. And yet it all seems limitless.”
Paul Bowles (The sheltering sky)

domingo, 18 de junho de 2017

NACIONAL 236

Uma estrada nacional pouco conhecida e concelhos por norma arredados das notícias são, ao longo do dia, os sítios da notícia. O que resta de um País ainda rural e ainda interior vai morrendo assim.

Mais de 60 mortos. Dezenas de famílias destroçadas. Bens que se perderam, vidas que deixam de ter futuro

Como foi possível isto ter acontecido?

A pergunta é mil vezes repetida. Daqui a um ano, ou daqui a uns meses, voltaremos a repetir a mesma pergunta.

sábado, 17 de junho de 2017

UM "PRÉMIO" DIFERENTE E ESPECIAL

Comecei o dia bisbilhotando o facebook. E eis que encontro esta referência, que me fez "ganhar o dia". As razões são as de Maria José Moura. Creio, para lá das apreciações pessoais, que gostará de conhecer o dossiê de candidatura que a nossa Câmara Municipal tem em preparação. E que dará novo alento à leitura pública no concelho de Moura.


sexta-feira, 16 de junho de 2017

NOITE SEM LUZ

Um acidente num posto transformador deixou parte de Moura sem iluminação pública durante muitas horas. Sítios como o jardim público lançavam uma generosa luz sobre a escuridão. Os volumes ficaram mais recortados e pormenores esquecidos ganhavam vida. Deambulei um pouco por ali. Ainda pensei em ir buscar o tripé e tentar algumas exposições mais prolongadas. Era quase meia-noite. Sucumbi ao pragmatismo. E, sobretudo, ao cansaço. Quando a luz voltar a faltar estarei preparado.


quinta-feira, 15 de junho de 2017

ANTÓNIO AUGUSTO MARQUES DE ALMEIDA (1936-2017)

Foi meu professor de Matemática para as Ciências Sociais e Humanas no ano letivo de 1981/82. A primeira aula foi no dia 7 de dezembro, na sala 7. Recordo o sorriso meio irónico com que entrou na sala e deparou com a turma, silenciosa e aterrorizada. Matemática?? A cadeira era obrigatória. Com sensibilidade e inteligência, o Prof. Marques de Almeida levou a "coisa" por outros caminhos. Interessou-nos por Bento de Jesus Caraça, pela matematização do real, pela visão qualitativa e não quantitativa. As aulas eram espaços de liberdade e Marques de Almeida obrigava-nos a improvisar. Uma das componentes obrigatórias era a "apresentação oral". Tinhamos de falar durante 10 ou 15 minutos sobre um tema à nossa escolha. Optei pelo cinema português e pela visão que os estrangeiros colhiam de Portugal através dos filmes. Com aquele pequenos exercício, Marques de Almeida queria que nos disciplinássemos e que puséssemos o cérebro a trabalhar cronometricamente. Lembrei-me do seu austero "tens 10 minutos para terminar" muitas vezes ao longo da vida. Orientou-me nas leituras, obrigou-me a ler o Capitalismo monárquico português, de Manuel Nunes Dias, fez-me trabalhar sobre a feitoria portuguesa de Antuérpia e, sobretudo, ajudou-me.

Perdido em dúvidas filosóficas, sozinho e sem vontade especial de estudar História, teria errado se não fosse o apoio que me deu. A generosa nota com que terminei Matemática foi um impulso decisivo para a carreira que mais tarde escolhi. Marques de Almeida parecia-me um homem quase idoso. Constato agora que tinha apenas 45 anos... Faleceu ontem. Vi-o a última vez há uns bons quatro ou cinco anos.


Coincidências e ironias do destino: doutorei-me, em Lyon, no amphithéâtre Benveniste. O nome de judeu que motivou a criação pela família Benveniste, em 1996, de uma cátedra na Universidade de Lisboa. Primeiro diretor dessa cátedra? Marques de Almeida.

Professores importantes no meu percurso de aprendizagem?
António Augusto Marques de Almeida
Cláudio Torres
Eduardo Borges Nunes
João B. Serra
Manuel Rio-Carvalho
Muito poucos, em quatro anos.
De entre o que foram meus professores sem me terem dado aulas não posso esquecer António Borges Coelho e José Luís de Matos.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

A ESTÁTUA



Nas suas mãos a voz do mar dormia
Nos seus cabelos o vento se esculpia

A luz rolava entre os seus braços frios
E nos seus olhos cegos e vazios
Boiava o rasto branco dos navios

O Hotel de Moura, num relance, às 22:49. Sophia de Mello Breyner Andresen, no silêncio da noite.

terça-feira, 13 de junho de 2017

PASSADO E FUTURO DO CONVENTO DO CARMO DE MOURA


O Convento do Carmo de Moura vai integrar o Projeto REVIVE. O projeto REVIVE abre o património ao investimento privado para desenvolvimento de projetos turísticos, através da realização de concursos públicos.
A participação do Convento do Carmo neste programa de dinamização resultou dos contactos e diligências feitas pela Câmara Municipal de Moura junto da Secretaria de Estado do Turismo.

Esta simples notícia, difundida na passada semana pela Câmara Municipal, provocou um conjunto desencontrado de reações. Do júbilo à desconfiança, da esperança à provocação, de tudo um pouco fui lendo.

Vale a pena recordar de que estamos a falar e como aqui chegámos. A igreja tem origem medieval (um olhar mais atento permite identificar, ainda hoje, elementos arquitetónicos do primitivo edifício, que se enquadrava no chamado “gótico alentejano”). O conjunto é uma mistura de épocas e de campanhas de obras. A última utilização efetiva foi como hospital. A construção de um novo equipamento (primaira asneira), sem se planear o uso seguinte do convento (segunda asneira), deu mau resultado. Há mais de 25 anos que todo aquele conjunto está sem utilização. Ideias disparatadas e sem sentido (como a do pólo universitário ou a do ‘centro cultural’) cairam por terra, por mais que evidente inviabilidade. Contactos, feitos em 2014, com o Ministério da Admistração Interna, para a instalação de um Centro Municipal de Proteção Civil, acabaram por se gorar.

Qual o cerne da questão? Atribuir ao edifício funções compatíveis com a sua dignidade, garantir a vibalidade da sua manutenção e, questão crucial, pagar a fatura. Quanto custa a recuperação do Convento do Carmo? Algo entre quatro e cinco milhões de euros.

A inclusão no projeto REVIVE resolve o problema? Não resolve. Cria um mecanismo que permite trabalhar soluções e financiá-las. Porque é que o convento foi incluído neste projeto? Porque insistimos junto do Turismo de Portugal e da Secretaria de Estado do Turismo para que tal acontecesse. Com que argumento? Um, muito simples. A capacidade demonstrada pela Câmara Municipal em recuperar e utilizar edifícios e espaços públicos (Quartéis, Matadouro, antigo quartel dos bombeiros, igreja do Espírito Santo, Pátio dos Rolins, igreja de S. Francisco, Lagar de Varas, Mouraria, castelo etc.). Em fazê-lo de forma determinada e com reconhecida qualidade. Tem sido assim. Há outras formas de fazer? Há, de certeza. Mas nunca vi uma só proposta nesse sentido.

De momento, o Convento do Carmo é o único imóvel no distrito de Beja a integrar o REVIVE. Podíamos ter tido outras opções? Decerto. Podíamos dedicar-nos à política da treta, da “coisinha piquinina”, das fraldinhas e dos dodots.


Preferimos outro caminho. A das infraestruturas e da reabilitação dos sítios. O antigo grémio, o Bairro do Carmo, a torre do relógio (Amareleja), o terminal rodoviário, todos com projetos aprovados e financiamento em vias de concretização são as intervenções que se seguem. O Convento do Carmo surge agora como passo seguinte. E de grande dificuldade. Podemos trocar isso por uma política de fraldinhas e de dodots? Podemos. Mas seria uma lástima. E as gerações futuras não nos perdoariam.

O presente texto foi editado hoje, em "A Planície". A fotografia de Ruth Bernhard (1905-2006), com o seu ponto de fuga indica-nos o caminho. Sempre em frente, sempre mais além. Com determinação e com a certeza do caminho que se trilha.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

HOMENAGEM A MARIA JOSÉ MOURA

Neste blogue, em 23.6.2011:

Fui, entre setembro de 1986 e junho de 1992, funcionário da Câmara de Moura. Ninguém se banha duas vezes na água do mesmo rio e ninguém pode fazer duas vezes o mesmo percurso. Ao transferir-me para Mértola sabia que jamais voltaria ao quadro da autarquia da minha terra natal. Sem hesitações ou arrependimentos.

Desse percurso, curto e intenso, tenho boas e más recordações. A melhor de todas foi, sem dúvida, o processo de renovação da Biblioteca Municipal.

No dia em que assumi a chefia da divisão cultural da Câmara de Moura (25.9.1986) já tinha preparada uma ideia do que poderia ser a remodelação da Biblioteca Municipal. Passei dias a fio, nesses tempos bárbaros sem net nem telemóveis, até localizar a Dra. Maria José Moura, coordenadora do grupo de trabalho e então bibliotecária da reitoria da Universidade de Lisboa. Falar com ela foi o primeiro passo. Nos meses seguintes o programa de intervenção foi-se aprofundando, com a participação renitente do sr. João da Mouca, que preferia um programa mais discreto, e alicerçado no projeto de arquitetura de Maria Teresa Ribeiro. A nossa candidatura seria entregue em maio de 1987. Soubémos, algum tempo depois, que Moura integrava o primeiro grupo de sete municípios que, a sul, iria ter apoio. O contrato seria depois assinado e as obras iniciadas já em 1989.


Maria José Moura foi homenageada no passado dia 10. Num País de ingratidão, este gesto foi especialmente significativo. Devo-lhe/devemos-lhe muito. O meu percurso não seria o mesmo, se não me tivesse cruzado com ela, na impaciência dos meus 23 anos. A rede de leitura pública deve-lhe o nunca lhe poderemos pagar...

Obrigado, Dra. Maria José Moura!