domingo, 31 de maio de 2015

DIA D: - 19

A partir de amanhã, os trabalhadores da Assembleia Distrital "passam" para a CIMBAL. A ameaça da mobilidade está afastada, felizmente. A partir de amanhã, presidirei a um órgão fantasma. Dia 19 de junho haverá uma derradeira assembleia para aprovação da conta de gerência. Depois, a ADB entra em estado vegetativo.

Núcleo visigótico - um segredo escondido de Beja

ACABA MAIO E VEM JUNHO

Refiram-se, assim, várias iniciativas que agora terminam e que contaram com imensa adesão popular. Maio na rua foi o feliz nome dado a ações que abrangeram as crianças, a saúde e o património. Terminam amanhã, em plena Praça Sacadura Cabral.

E maio foi também o mês de arranque do Há festa na Mouraria. Que foi a fórmula encontrada para celebrar o novo sopro de vida neste bairro popular. Deu direito a dois prémios de prestígio. Deu, mais importante que isso, um renovado orgulho a um emblemático espaço de Moura.


sábado, 30 de maio de 2015

JOGOS AQUÁTICOS

A generosidade do José Manuel Rodrigues vai fazer com a exposição Água - património de Moura tenha algo mais. Um conjunto de vinte fotografias ocupará uma das alas do antigo matadouro e servirá de perfeito complemento ao que se poderá apreciar no edifício central. A ideia surgiu durante a conversa de planeamento do livro sobre a Amareleja e o vinho. Que começa a ganhar forma.



E sob o signo da água ficamos, entre fotografia, a música aquática de Handel (ver e ouvir aqui) e o lago mudo de Fernando Pessoa:

Contempo o lago mudo
Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece. 
Não sei se penso em tudo 
Ou se tudo me esquece. 

O lago nada me diz, 
Não sinto a brisa mexê-lo 
Não sei se sou feliz 
Nem se desejo sê-lo. 

Trêmulos vincos risonhos 
Na água adormecida. 
Por que fiz eu dos sonhos 
A minha única vida?

O bucolismo melancólico de Fernando Pessoa é uma velha companhia. A fotografia de José Manuel Rodrigues é muitas vezes, barroca, não o parecendo. A música de Handel era mesmo barroca - e para ser tocada, literalmente, sobre água.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

FILMING OTHELLO II

Já aqui falei neste filme (no dia 23.7.2009), que nunca consegui comprar. Filming Othello é uma fascinante reflexão sobre o ato de filmar e sobre as opções estéticas que se tomam. Orson Welles fala, ao longo deste documentário, de "espelhos". Os espelhos estão presentes nos seus filmes, e nem sequer é necessário recordar o tiroteio em "A dama de Shangai". Há referências que aqui encontramos em pano de fundo: Jorge Luis Borges, Vertov, Dreyer...

O que é inventar soluções com poucos meios? Vejam a partir de 30:15, quando se explica a cena da morte de Rodrigo, nos banhos turcos, e o truque das armaduras. E depois duvidem do que ouvem e duvidem do próprio Welles quando diz "believe it or not".

E, se me permitem, vejam o próprio Othello, a melhor obra jamais escrita sobre um sentimento universal: o ciúme.

Filming Othello é a escolha cinéfila destes dias.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

ÁSIA

Penúltimo texto da irregularíssima série sobre os continentes, agora com a Ásia. Estive três vezes na Ásia, mas não naquela em que, normalmente, pensamos. A Turquia, a Síria e a Jordânia "não contam"...

É à outra Ásia que gostaria de ir um dia. Mas é cada vez menos provável que tal aconteça. O azul irreal da estampa simboliza essa impossibilidade. Wenceslau de Moraes (1854-1929) partiu para o Extremo Oriente, mas não regressou. Fixou-se no Japão em 1898, aí tendo vivido os últimos 31 anos da sua vida. Um bom poeta, hoje meio esquecido. Um homem livre e sem amarras.



Aqui
Aqui, entre os juncos e as flores do lótus,
compreendi que o inferno e o céu,
por mais que os deuses e os livros nos levem
a pensar o contrário, estão no coração do homem.
Eu conheci ambos deambulando por dentro de mim
e fazendo da sombra um desejo de luz
e da luz um secreto desejo de sombra.
Não foi o sol que me queimou o rosto,
foi o lume das inquietações fatais,
e quedei-me assim, apátrida e só,
numa terra a que chamo minha
mas que faz o longe tornar-se fatalidade.

Apego-me à sabedoria volátil e certa dos provérbios
e aprendo neles que sou, que sempre fui,
um insecto do estio a voar para a chama
e que após a neve vem o Nirvana.
Sempre encaminhei os meus passos na direcção da luz,
mas foi a treva que encontrei, fixando os pedaços
de reboco que se soltam do tecto
presos ao voo dos besouros, enquanto
eu me perco no labirinto da minha solidão.

Vê como eu morro devagar
enquanto a chuva desenha na poeira
as metáforas do Outono e do assombro.
Vê como eu apodreço à ilharga da música
que sai do interior das conchas
junto à rebentação das ondas,
no sítio onde os poetas há muito
deixaram de escrever e de sonhar.
Vê como eu me torno estrangeiro absoluto
numa terra que quer ser minha
mas que eu não consigo guardar no coração
como coisa essencial da minha vida.

Wenceslau de Moraes in "O Profeta do Orvalho"

quarta-feira, 27 de maio de 2015

SANTA PROFANA

É, para todos nós, "a santa". O arranjo é típico de um certo exotismo ao gosto do Estado Novo. Não se trata de uma santa, mas de uma mulher retratada ao gosto oriental. O penteado, as tranças, o manto a cobrir a cabeça, as arrecadas, as pulseiras, remetem para o Levante. A palavra Levante é hoje politicamente incorreta. Tal como o são as palavras exótico ou gosto oriental. Passemos adiante e celebremos a nossa santa, mais profana que espiritual...


Sonho Oriental

Sonho-me às vezes rei, n'alguma ilha, 
Muito longe, nos mares do Oriente, 
Onde a noite é balsâmica e fulgente 
E a lua cheia sobre as águas brilha... 

O aroma da magnólia e da baunilha 
Paira no ar diáfano e dormente... 
Lambe a orla dos bosques, vagamente, 
O mar com finas ondas de escumilha... 

E enquanto eu na varanda de marfim 
Me encosto, absorto n'um cismar sem fim, 
Tu, meu amor, divagas ao luar, 

Do profundo jardim pelas clareiras, 
Ou descanças debaixo das palmeiras, 
Tendo aos pés um leão familiar. 

Antero de Quental

terça-feira, 26 de maio de 2015

ALEPO

Cidades como Palmyra hoje são tema de noticiário. Vemos ruas com casas esventradas e a destruição que emerge, por toda a parte. São, contudo, sítios onde até há pouco havia gente. Onde crianças iam à escola e brincavam, onde comerciantes faziam pela vida, onde as pessoas passeavam ao fim da tarde, onde as buzinas dos carros se sobrepunham, à boa maneira oriental, a tudo o que em volta existia.

Impressionou-me sobremaneira a imagem da grande mesquita de Alepo, em ruínas e sem minarete. Como em toda a Síria, o acesso às mesquitas era livre. Na aljama de Alepo existia o mausoléu de S. Zacarias, pai de S. João Batista. Não faço ideia se ainda existe e em que estado se encontra...

A destruição do minarete da grande mesquita de Alepo ocorreu há dois anos. O assunto está semi-esquecido. Na sofreguidão das notícias, os assuntos sucedem-se, sem que deles verdadeiramente nos demos conta do que se vai passando. E o que se vai passando na Síria não tem reparação nem pode ser contabilizado.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

LIVRO DE HORAS DO FESTIVAL: hora 73

Durante dois anos dizemos adeus à emblemática porta, que é um verdadeiro ex-libris do Festival Islâmico. Em maio de 2017 cá estaremos. Na nona edição do festival, espaço de encontros e de cultura. Com novas propostas e, pela parte que me toca, com mais uma intervenção. Ontem, domingo, foi dia de encerramento. Hoje, segunda, retomo o ritmo habitual. Prevejo (mais) uma semana intensa.

domingo, 24 de maio de 2015

LIVRO DE HORAS DO FESTIVAL: hora 55

O tempo foi passando, entre encontros e convívios diversos. No terceiro dia, perdi-me pelo cais, entre os sons do flamenco e da música arabo-andaluza. Duas faces da mesma moeda, num belo trabalho, onde tudo se encadeou na perfeição. Depois veio Mdou Moctar, músico do Níger (cena caricata: o apresentador disse, duas vezes, que o músico era originário do deserto da Nigéria, seja lá isso onde for). Mdou Moctar não é Bombino, mas deixou uma excelente impressão. Eletrizou o público e sublinhou, uma vez mais, a importância da raíz tuaregue deste pop. Quando se despediu de todos nós, ainda a noite estava a começar...

LIVRO DE HORAS DO FESTIVAL: hora 20

Segundo dia. Ainda o dia não tinha aquecido desesperadamente e fui visitar a nova entrada das escavações arqueológicas. Que é feita por um novo edifício, que mimetiza uma casa do período islâmico. É uma solução pedagógica e que dá pistas a quem visita o sítio. Voltaria lá no dia seguinte, para uma visita guiada a dois jovens amarelejenses. Um passeio descontraído com algumas explicações sumárias sobre o sítio. Acho que os moços gostaram. Eu, pelo menos, gostei daquele meu regresso a um passado ainda recente. 

LIVRO DE HORAS DO FESTIVAL: hora 6

E à sexta hora do Festival Islâmico de Mértola teve lugar a estreia da curta-metragem "Chegar a casa". Foi o meu pequeno contributo para um acontecimento ao qual estou ligado desde o primeiro momento, em 2001. O Largo da Misericórdia estava bem composto, com mais de 100 espetadores. Não correu mal, acho eu. O melhor mesmo foi a nutrida delegação que veio de Moura.

Foi um bom arranque para um festival um tanto atípico (falo dos meus dias, não do festival em si)...

quinta-feira, 21 de maio de 2015

QUANDO DUARTE DARMAS PASSOU POR MOURA: 10/10 - PORTA ALMÓADA?

Último episódio. Duarte Darmas passou por Moura nos inícios do século XVI. Não vale a pena tecer mais comentários sobre o que viu, a forma como registou e o modo como realçava determinados aspetos do contexto urbano das localidades.

Chame-se a atenção para um derradeiro detalhe. Junto à porta falsa, e muito perto do local onde se encontra o meu gabinete de trabalho, Duarte Darmas viu e desenhou uma porta de arco em ferradura numa torre. A menos que se trate de uma pouco provável fantasia, poderemos estar em presença de um vestígio de uma das torres do período almóada (segunda metade do século XII/início do século XIII). Hoje nada resta. As demolições levadas a cabo entre 1818 e 1820 levaram para todo o sempre quase toda a muralha islâmica. Do arco em ferradura fica apenas esta memória. 


quarta-feira, 20 de maio de 2015

ALENTEJO, ALENTEJO

No meio das coisas que vão acontecendo, aqui fica o filme da semana: um belo documentário de Sérgio Tréffaut, intitulado "Alentejo, Alentejo". Uma obra emotiva e de completa entrega.

Vi-o no Cineteatro Caridade, em Moura, em plena euforia da classificação do cante alentejano como Património da Humanidade. A classificação é importante, mas mais importante é a firme vontade de continuar. Desistir nunca foi ideia nossa. O Alentejo foi construído assim, não desistindo.

A moda "Alentejo, Alentejo", registada no CCB, no passado mês de janeiro (gravação minha, como facilmente se constata).

terça-feira, 19 de maio de 2015

FLORES NAS JANELAS

Tenho uma amiga que comenta, sempre, o meu hábito de me apaixonar perdidamente por todos os sítios por onde passo. Todos, mesmo todos, até por Bamaco e por Bolama, dois sítios onde a palavra fácil foi banida do dicionário.

Há todos esses sítios e há Moura, onde há 51 anos procuro chegar a casa. Nenhum esforço me parece suficiente, e não é só da ação política que falo. Ao apreciar, há dias, o trabalho e dedicação da Comissão de Festas de Nossa Senhora do Carmo achei que era meu dever dar um sinal e um passo nesse sentido. Tive/tivémos (que no gesto fui acompanhado pelos colegas da vereação) a iniciativa de desafiar as trabalhadoras da autarquia a trazerem colchas para engalanarmos os edifícios da Praça (os Paços do Concelho, as antigas Finanças, o imóvel onde está a Divisão de Cultura, a Biblioteca...) durante a passagem da procissão. A ideia foi acolhida com entusiasmo. O entusiasmo estendeu-se à população. Foi unâmine? Não foi. Houve insinuações de "folclorismo", houve piadas ácidas e despeitadas, houve até discordâncias expressas, e ditas, porque a Câmara é uma instituição laica. Respeito/respeitamos todas as discordâncias, mas mantenho/mantemos a nossa intenção. Engalanaremos a Praça, tal como tentaremos, em cada momento, contribuir para puxar pelo orgulho da nossa terra. Sem limites nem concessões. 

Em jeito de conclusão posso, uma vez mais afirmar, que o meu agnosticismo pouco conta. Moura conta muito mais.


Tal como a lua, também o espírito é livre. Duas formas superiores de Arte: a fotografia de José Manuel Rodrigues para o Livro "Moura, crónica da Festa" (ed. 2001) e a poesia de Robert Frost.


The Freedom of the Moon

I've tried the new moon tilted in the air

Above a hazy tree-and-farmhouse cluster
As you might try a jewel in your hair.
I've tried it fine with little breadth of luster,
Alone, or in one ornament combining
With one first-water start almost shining.

I put it shining anywhere I please.

By walking slowly on some evening later,
I've pulled it from a crate of crooked trees,
And brought it over glossy water, greater,
And dropped it in, and seen the image wallow,
The color run, all sorts of wonder follow.

QUANDO MOURA SE CHAMAVA LACANT

Estava posto em meu sossego, e sem pensar mais na hipótese de Moura ter sido o sítio paleocristão de Lacalt e deste ter correspondido à fortificação islâmica de Laqant - v. explicação detalhada aqui -, quando a Manuela Alves Dias me telefonou. Não falava com a Manuela há muito tempo. Mantivémos contacto próximo durante a montagem da exposição da basílica de Mértola (inaugurou no dia 14.11.1993...). Depois disso falámos esporadicamente. A Manuela é uma epigrafista de alta categoria. Deu-me, há dias, mais provas de uma erudição que bem (lhe) conheço. O telefone tocou a meio da Serra de Serpa. O monólogo foi breve e assertivo: "Olha lá, aquela hipótese que colocaste, quanto à evolução do nome de Lacalt para Laqant não é bem assim. É que não houve mudança nenhuma". Passou-me pela cabeça a hipótese de ter cometido um erro grosseiro, mas a tranquilidade veio depressa: "é que na Alta Idade Média o sítio já se chamava Lacant". Como??? "Sim, a minha colega espanhola [Alicia Canto] cometeu um erro de leitura. Como podes ver nos teus decalques o segundo A tem uma perna vertical a mais que tem sido interpretada como um L, (que para o ser tinha que ter uma perna horizontal que não está lá embora tivesse espaço) trata-se de um nexo AN, em que o N está representado pela tal haste encostada ao A. do que resulta a leitura Lacantensiae e não Lacaltensiae". Mandou-me depois um texto justificativo.

Ter amigos assim é uma sorte. Uma sorte construída, mas uma sorte, ainda assim.

Ou seja, e para que conste: MOURA chamou-se mesmo LACANT, depois LAQANT, no período islâmico. Porque mudou? Porque o C não existe no alifato.


segunda-feira, 18 de maio de 2015

FESTIVAL ISLÂMICO DE MÉRTOLA - EDIÇÃO 8

Festival Islâmico em oitava versão. Começou em 2001. Parece que foi ontem, cum raio...

Vou meter férias durante três dias. O festival é, sobretudo, um sítio de reencontros. Haverá exposições, música, o souk, cinema, a abertura de novos espaços museológicos construídos a partir da arqueologia, debates etc.

Tenho colaborado no Festival, modestamente, desde 2001. Este ano, apresentarei uma curta-metragem, produzida pela Câmara Municipal de Mértola. Estreia dia 21, às 22 horas.

Programa em: http://www.cm-mertola.pt/images/mertola/programa_fim_2015-8_maio.pdf


Equipa do filme (por ordem alfabética):

Abdallah Khawli - locução
Azeneide Batista - atriz
Badr Hassanein - traduções
Fábio Moreira - fotógrafo de cena
Fernando Inverno - construção do cenário
Guilhermina Bento - adereços
Hélder Coelho - assistente de imagem
Isabel Martins (aka Maria Antónia Cardigos) - guarda-roupa
Joaquim Simões (aka Joaquim Montargil) - música original
Joceline Cabral - atriz
Jorge Murteira - imagem, edição e pós-produção áudio e vídeo
Jorge Sales - registo de som
Luís Moreira - grafismo
Manuel Passinhas da Palma - cenário
Percida Camara - atriz
Sana Contá - ator
Santiago Macias (aka Ibrahim Kanara) - argumento, produção e realização

São devidos agradecimentos a Antónia Baião (Escola Profissional de Moura), a Daniel Sasportes, a José Moças (TRADISOM), a  Mercedes Cerón (REFER), a Rui Madruga e à TVM designers.

domingo, 17 de maio de 2015

SONHO AZUL

O Benfica ganhou o 34. Isso é, verdadeiramente, um sonho azul.

sábado, 16 de maio de 2015

POP-ART RURAL NA FEIRA DE MOURA

Foi, talvez, a intervenção mais marcante e o momento mais importante da Feira de Maio. O grupo do gabinete de comunicação da Câmara Municipal, sob a batuta da minha amiga Paula Ventinhas, organizou a exposição de entrada da feira. Os bichos da Herdade da Contenda, vistos pela sensibilidade de artistas locais. Mais um momento festivo e de grande criatividade. Havia laivos de pop-art de pendor rural na entrada da feira.

O gabinete de comunicação fez isto e fará outras coisas melhores. Porque são capazes e porque contamos com eles. Tal como contamos com toda a equipa de trabalhadores que construiu a Feira de Maio. Este trabalho é um esforço de todos. Há quem não perceba isso, mas nô djunta mon!

Os nomes dos participantes estão reproduzidos mais abaixo. Obrigado a todos!










sexta-feira, 15 de maio de 2015

ESCOLA PROFISSIONAL DE MOURA: 15 ANOS

Foi assim. Uma sessão breve, mas muito emotiva. Assinalaram-se hoje 15 anos de Escola Profissional de Moura. Um projeto arrancado a ferros. Erguido graças a uma Câmara CDU. Que contou, é justo dizê-lo, com o apoio do PSD. Apenas e só, do ponto de vista político. E contou com o entusiasmo de muitos cooperantes e de muita gente de boa vontade. Os primeiros anos foram muito difíceis. Depois, a Escola Profissional ganhou alguma estabilidade. Lançou laços de cooperação. Fez do seu caminho um percurso sólido. A formação tem a qualidade que hoje os alunos do curso de restauração demonstraram.

Assim continuará a ser.

Placa comemorativa com as fotografias dos que por ali passaram. Uma forma justa e apropriada de recordar o caminho percorrido.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

DA ADB PARA A CIMBAL

Foi publicado, há dias, o despacho do SEAL a confirmar a transferência da universalidade jurídica indivisível (ou seja, de tudo...) da Assembleia Distrital de Beja para a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo. É o culminar de um processo tormentoso, que bastante desgaste causou ao longo de ano e meio. No final, e depois de três ofícios para a CIMBAL, para que esta entidade se pronunciasse, ainda houve lugar a algumas tentativas de manobras dilatórias por parte do Partido Socialista, força política maioritária na Assembleia Intermunicipal. Não resultaram. Está encontrada uma solução. Que é a possível e não a ideal.

Pela minha parte, posso (quase) dizer: missão cumprida.


Diário da República, 2ª série — Nº 91 — 12 de maio de 2015

Gabinete do Secretário de Estado da Administração Local
Despacho nº 4906/2015 

Decorrido o prazo previsto no nº 1 do artigo 3º da Lei nº 36/2014, de 26 de junho sem que a Assembleia Distrital de Beja tenha cumprido os requisitos do nº 5 do referido artigo 3º, o Governo notificou a Comunidade Intermunicipal da Região do Baixo Alentejo para se pronunciar sobre a transferência da universalidade, nos termos dos nºs 1, alínea a) e 3 do artigo 5º.

A Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo comunicou ao Governo a aceitação da universalidade da Assembleia Distrital de Beja. Nestes termos, estando reunidos todos os elementos necessários, ao abrigo do nº 1 do artº 4º da Lei nº 36/2014, de 26 de junho, torno público que a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo é a entidade recetora da universalidade jurídica indivisível da Assembleia Distrital de Beja.

27 de abril de 2015. — O Secretário de Estado da Administração Local, António Egrejas Leitão Amaro

quarta-feira, 13 de maio de 2015

QUANDO DUARTE DARMAS PASSOU POR MOURA: 9/10 - SANTA COMBA

Pois é, já lá estava. A bica da Santa Comba já existia no início do século XVI. Até antes dessa data, decerto. A memória da mártir de Córdova perdura até hoje na fisionomia da praça. No desenho de Duarte Darmas vemos uma boca a jorrar água para um tanque. Um cenário que não é muito diferente do que hoje se nos depara.

O que é interessante registar é a perpetuação dos sítios e dos símbolos da nossa terra. Neste, como em todos os outros desenhos, passa uma ideia de perenidade. Duarte Darmas entendeu-o, ao sublinhar a importância dos principais espaços de cada localidade. Os highlights de todos os sítios, como quem escolhe os trechos mais populares de uma peça musical.

A Santa Comba é um sítio de todos nós, em Moura. E é daqueles símbolos que passa de geração em geração.


terça-feira, 12 de maio de 2015

CIDADE VELHA & MOURA

Afirmam-se os laços de cooperação com a Ribeira Grande (ilha de Santiago - Cabo Verde). O Presidente da Câmara, Dr. Manuel de Pina, foi o convidado de honra desta feira. Dois dias um pouco em regime de aceleração. Um encontro fraterno, que permite lançar laços mais sólidos de cooperação. O meu amigo Manuel de Pina pronunciou, por várias vezes, a palavra morabeza. Foi a expressão que mais me tocou, por estes dias. Iremos em frente, claro. Haverá, em breve, projetos conjuntos no terreno.

Entrevista à Rádio Planície

Entrega de prémio a um jovem empresário mourense

Visita aos Bombeiros Voluntários de Moura

Acordo de geminação

ALUMNA II

Sessão n. 2. Continua o projeto Mouralumni. Depois do mundo da Bioquímica, foi a vez do jornalismo, um setor de atividade mais mundano. Mais duas sessões de contacto com os estudantes do 10º, 11º e 12º anos. A primeira, na Escola Secundária, foi extraordinariamente participada e atrasou (felizmente!) todo o programa do dia. Contámos nesta jornada com a simpatia e a competência da Elisabete Pato. Só nos tinhamos cruzado uma vez. Quando a convidei, por email, nem hesitou. Estamos-lhe gratos!


Elisabete Pato é natural de Moura. Tem uma licenciatura em Jornalismo e Comunicação e e mestranda em Ciência Política. Tem vasta experiência na área da comunicação, tendo passado pela TV (RTP e SIC), pela rádio (TSF, Antena 1, RCP) e pela imprensa escrita (Correio da Manhã, Notícias Magazine, Notícias Sábado, Sábado). Chefia atualmente a área de conteúdos de marca e comunicação na Câmara Municipal de Cascais.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

STARDUST MEMORIES Nº 3: MADERAS DE ORIENTE

Era um clássico na passagem pelo Rosal de la Frontera e pela Casa Mário. Galletas e brandy fundador, caramelos da viúva e perfumes. Havia sempre Maderas de Oriente, com um pauzinho de uma suposta madeira exótica no interior. No Próximo Oriente, e com exceção do Líbano, não há madeiras? Ora, ora, isso é um detalhe... O que raio isso interessa? Importava o ato da compra, o embrulho para alguém de família ou só lá para casa.

Maderas de Oriente era produzido pela Myrurgia, uma empresa que já não existe. Foram autores do fantástico frasquinho art déco Esteve Monegal y Prat e Eduard Jener.

PLANOS E PLANOS ERGUENDO

Derrepentemente, de uma assentada, terminam-se os processos referentes a dois "instrumentos de planeamento" (adoro a metalinguagem do burocratês). Plano de Urbanização da Póvoa de São Miguel e Plano de Pormenor da UP 4 da Amareleja foram aprovadas pela Câmara Municipal e seguem para a Assembleia Municipal.

São peças importantes para a construção do futuro, mas precisamos também de outras condições, do ponto de vista financeiro. A realidade é essa.


quinta-feira, 7 de maio de 2015

CANCELINHAS - FIAT LUX, ainda que só um pouco

Gosto muito da expressão fiat lux. É logo no início da Bíblia que surge o fiat lux. O ato de ontem nada teve de bíblico. Nem sequer de épico. Mas gostei de ir às Cancelinhas, assistir ao primeiríssimo teste de luz, na obra do Pavilhão. O arq. Victor Mestre ficou entusiasmado com o resultado. E com o efeito cénico da iluminação. Podemos usar aqui a palavra sainete, nos seus múltiplos significados.


ORSON WELLES - 6.5.1915

Fez ontem cem anos. Só um texto de João Gobern assinalou devidamente a efeméride. Orson Welles nasceu a 6 de maio de 1915. Foi um dos maiores génios da História do Cinema. Vi quase todos os seus filmes nos meus verdes anos. Foi uma influência decisiva, no que toca à formação do gosto e das opções estéticas. Mas não só.

Vi este F for fake há muitos anos. Comprei uma cópia, em dvd, há cerca de uma década, através de um site australiano (!). É um filme crepuscular, sobre Arte e fraudes. A palavra chave é "montagem". Welles sabia isso, e sabia disso, como ninguém.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

ÁRVORES

Árvores

O que tentam dizer as árvores
No seu silêncio lento e nos seus vagos rumores,
o sentido que têm no lugar onde estão,
a reverência, a ressonância, a transparência,
e os acentos claros e sombrios de uma frase aérea.
E as sombras e as folhas são a inocência de uma ideia
que entre a água e o espaço se tornou uma leve
integridade. 
Sob o mágico sopro da luz são barcos transparentes.
Não sei se é o ar se é o sangue que brota dos seus
ramos.
Ouço a espuma finíssima das suas gargantas verdes.
Não estou, nunca estarei longe desta água pura
e destas lâmpadas antigas de obscuras ilhas.
Que pura serenidade da memória, que horizontes
em torno do poço silencioso! É um canto num sono
e o vento e a luz são o hálito de uma criança
que sobre um ramo de árvore abraça o mundo.


A propósito de árvores. Recordei há pouco uma visita à loja de Duccio Nacci, La Bottega del Sale, em San Gimignano. Uns minutos à conversa, com o meu rudimentaríssimo italiano. Daí resultou uma simpática troca, livro para lá, fotografia para cá. Coisas improváveis que acontecem, assim ao acaso.

Deve ser da idade, mas gosto agora mais da poesia de António Ramos Rosa. Das fotografias de Duccio Nacci tenho inveja. Só.

Site: http://www.duccionacci.it

terça-feira, 5 de maio de 2015

UMA CIDADE E O SEU MUSEU: 12/20 - TUNIS

Ecclesia mater. O mosaico representa uma igreja, numa perspetiva rudimentar. Trata-se de uma peça funerária, proveniente de Tabarka e datada do século V, e dedicada a uma crente, Valentia. É, na sua singeleza e aspeto pouco trabalhado, uma das minhas peças preferidas da coleção do Bardo. Que é, já o tenho dito várias vezes, um dos museus de que mais gosto. Pelo sítio, pela coleção, pela beleza da cidade, pela luz da Tunísia.

Reproduzo, de novo (já por aqui andou), um texto de Santo Agostinho que nos remete para o mundo do mosaicos. E para algo mais que isso.


Ainsi un homme dont la vue serait assez rétrécie pour n'embrasser du regard sur un parquet de marquetterie que le module d'un seul carreau, accuserait l'ouvrier d'avoir ignoré la symétrie et les proportions; incapable d'embrasser dans l'ensemble et dans les détails, ces emblêmes qui concourent à l'unité d'un beau tableau, il prendrait pour un désordre la variété des pierres précieuses. Il n'en est pas autrement de certains hommes peu instruits. Dans l'impuissance où est leur faible esprit d'embrasser et d'envisager la liaison et l'harmonie universelles, ils s'imaginent, quand ils sont blessés d'une chose qui a pour eux de l'importance, que c'est un grand désordre dans l'univers.

Santo Agostinho, De Ordine (Livro 1, Cap. 1)

Site do museu: http://www.bardomuseum.tn

ÁGUA - PATRIMÓNIO DE MOURA


Ainda tentei o título À sombra da água, mas sem sucesso. Só duas ou três pessoas gostaram da ideia. Como não sou dogmático, desisti. Perguntaram-me “porquê À sombra da água? Que raio de ideia...”. Bem me esforcei em explicar que Moura não só nasceu à sombra do castelo mas também à sombra de um importante recurso. Olhares desconfiados (“o gajo passou-se”, etc.), argumentações contra (que ninguém ía perceber o sentido do título, etc.), um disparar de alternativas (“deixa ver se ele aceita alguma”, etc.). Desisti mesmo. Acabou por ser a Conceição Amaral a avançar com a proposta que agora está na mesa. O que está sobre a mesa?

Uma exposição que será inaugurada dentro de poucos meses no espaço do antigo matadouro municipal. O tema é a água, vista numa perspetiva história. Ou, se se preferir e para armar ao científico, numa visão diacrónica. Há só uma água? Não, há várias. Temos a “água geológica”, a que a terra guarda dentro de si. A falha em que Moura assenta torna a cidade numa exceção na aridez que quase todo o sol arrasta. Temos a “água económica”, aquela que hoje se tornou num produto de consumo. A que deu de comer aos pescadores do Ardila e do Guadiana e fez com que atividades artesanais ganhassem forma e se desenvolvessem. Temos a “água testemunho histórico”, a dos objetos do quotidiano de conservação, de armazenamento e de consumo. Deverá a exposição cingir-se aos objetos arqueológicos? Nem por sombras. Pode, deve e vai ter objetos de todas as épocas. Incluindo os artefactos dos nossos dias ligados à água.

Temos 200 metros quadrados para mostrar um pouco desta água que é de todos. Podemos, devemos e  vamos, em cada momento e em cada sítio, valorizar aquilo que esta terra tem. A exposição Água – património de Moura faz parte da estratégia de reabilitação urbana em que apostámos e em que continuaremos a apostar.

Assumi, pessoalmente, a responsabilidade de coordenar este projeto e, como autor do guião, de lhe dar forma, escrevendo textos e delineando, em conjunto com Vanessa Gaspar e com Marisa Bacalhau, os conteúdos (palavrão, mais um!, para os materiais a escolher e formas de os organizar). Tenho especial prazer, enquanto presidente da câmara, em assegurar este género de tarefas. Até porque se trata do segundo trabalho deste género que desenvolvo em Moura: o primeiro, Moura na época romana, foi no já distante ano de 1987. O tempo passa...

Crónica publicada em "A Planície" de dia 1.5.2015