sábado, 18 de fevereiro de 2017

PRÉMIO PESSOA - 25 ANOS MAIS TARDE

Dia 18 de fevereiro de 1992. Faz hoje 25 anos. Fomos todos ao Palácio de Queluz, festejar a entrega do Prémio Pessoa a Cláudio Torres. Deste grupo, apenas três estão em Mértola em regime de permanência. O tempo e as nossas vidas levaram à dispersão. Se tenho saudades? Não. Recordo os momentos bons e os menos bons. Recordo, em especial, o intenso processo de aprendizagem daqueles anos. Isso, não há nada que pague.

Não identifico, deliberadamente, os retratados. Deixo essa tarefa à equipa do Campo Arqueológico de Mértola e aos amigos que por aqui passam. O autor da fotografia é o grande Tó-Pê.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

AIR CANASTRO

A minha alcunha de família na Amareleja é Canastro. Muitas pessoas ali me reconhecem dessa forma "você é daqui, é Canastro". Herdei a alcunha da minha bisavó e, depois, do meu avô. Um ou dois amigos em Moura também assim me tratam: Canastro. Um amigo teve a simpatia de me mandar uma montagem vista algures na net. Achei imensa graça. Air Canastre? Não me parece nada mal... Ainda que preferisse AIR CANASTRO.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

AL DOLCE GUIDAMI...

Terceira aparição no blogue desta ária. Em outubro de 2011, as palavras Al dolce guidami castel natio, / ai verdi platani, al quello rio, soaram-me como uma estranha premonição. Leva-me para o querido castelo onde nasci, cantava Anna Netrebko. Seis anos depois, aqui estamos...

Moura, o querido castelo onde nasci, integra o projeto "Les petites villes et la cohésion territoriale dans l'Europe du sud et dans l´espace atlantique: analyse comparée de longue durée", que a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas apresentou e que vai ter financiamento. Tiveram a simpatia de me convidar, há meses, a integrar a equipa de investigadores.


Moura, sempre em frente, com fé ardente, lá diz o hino do MAC.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

POR EL SENDERO A LA TARDE


¡Qué tranquilidad violeta
por el sendero a la tarde!
A caballo va el poeta...
¡Qué tranquilidad violeta!

La dulce brisa del río,
olorosa a junco y agua,
le refresca el señorío...
La brisa leve del río.

A caballo va el poeta...
¡Qué tranquilidad violeta!

Y el corazón se le pierde,
doliente y embalsamado,
en la madreselva verde...
Y el corazón se le pierde.

A caballo va el poeta...
¡Qué tranquilidad violeta!

Se está la orilla dorando.
El último pensamiento
del sol la deja soñando...
Se está la orilla dorando.

¡Qué tranquilidad violeta
por el sendero, a la tarde!
A caballo va el poeta...
¡Qué tranquilidad violeta!

A procura de soluções leva-nos a outros sítios. De Moura à Golegã, para uma tarde amena. A inexcedível simpatia do Dr. José Veiga Maltez abriu caminhos novos para um projeto em curso na Póvoa de S. Miguel. Deambulações pela lezíria, entre o futuro e o passado, bem simbolizado pelo extraordinário Clube Agrícola, na Chamusca. A poesia de Juan Ramón Jiménez (soa sempre melhor dita em espanhol) e a estátua que Verrocchio fez de Bartolomeo Colleoni (drôle de nom...), em pano de fundo.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

ATLÂNTIDA

Uma das teses [explorada no documentário "Atlantis Rising"] vaticina que alguns habitantes de Atlântida podem ter conseguido fugir à eventual catástrofe que submergiu a ilha e ter-se instalado no sul da Península Ibérica, onde terão deixado gravuras rupestres a lembrar a sua terra perdida. (site zap.aeiou.pt)

Sem dúvida. É essa a opinião de muitos atlantólogos.


O MEU AMIGO JOSÉ SILVA, ENTRE PEDRO CABRITA REIS E WOLF VOSTELL

Visita matutina à Zona Industrial. Deparo, na AMBIMOURA, com uma verdadeira instalação. Doze automóveis em fim de vida organizados em fiadas verticais. Arte Contemporânea casual? Recordei um texto que Manuel Rio-Carvalho redigiu para o Jornal de Letras (1983? 1984?) intitulado "Para compreender a beleza do Barreiro". Evocando referências tão díspares como a "Carmen", de Bizet e o "Deserto Vermelho", de Antonioni, Rio-Carvalho encontrava poesia num subúrbio industrial. O mesmo pensei, recordando os trabalhos de Wolf Vostell (são dele as motocicletas) e de Pedro Cabrita Reis, com as traves e os pneus, em "Amarração".

A zona industrial em cenário operático, ou a vantagem de deambular cedo pela cidade.



BLUE SUBMARINE

Pop lisboeta. O projeto de arquitetura é de Tomás Taveira (Av. João XXI, anos 80) . O fumo é azul, e é espelho do fumo que outrora saía da fábrica de cerâmica que ocupava o quarteirão onde está hoje a soviética sede da Caixa Geral de Depósitos (projeto de Arsénio Cordeiro). O grafismo da chaminé, mais que pós-moderno, mimetiza o grafismo dos anos 60. Com o yellow submarine à frente de tudo.


domingo, 12 de fevereiro de 2017

OUTRA VEZ O CÉU PLUVIOSO

As nuvens são tão espessas que se diriam formarem,
para cá da abóbada celeste, fumo de madeira verde.

A chuva é fina como limalha de prata,
derramada sob um solo de âmbar.

Por um momento o sol brilha
como escrava que se mostra ao comprador.



Agora que a chuva regressou, é altura de recordar este belo poema de Ibn Ammar (século XI), na tradução de António Borges Coelho. Já por aqui andou, faz amanhã sete anos. Imagens recolhidas em idas e vindas, algures na margem esquerda do Guadiana.

A MINHA MIRAGEM PREFERIDA...


… hopes expire of a low dishonest decade… W. H. Auden
No fim de Janeiro, Portugal, na pessoa do primeiro-ministro, teve a honra de receber seis países do sul da Europa: a Itália, a Espanha, a França, a Grécia, Malta e metade da ilha de Chipre. Apesar do atraso este encontro merece alguns comentários. Primeiro, é duvidoso que Chipre e Malta se possam apresentar ao mundo como “países”. Segundo, o que distingue os membros deste subconjunto da União é precisamente não fazerem parte da Europa. A Espanha não tem um papel no continente desde o século XVII, a França desde o princípio do século XIX e o resto do grupo não existia até há muito pouco tempo e nunca contou para nada. Todos vieram agora aqui dizer meia dúzia de piedades, que o mundo inteiro conhece e, no fundo, como disse o inefável Tsipras, reforçar a “solidariedade”, ou seja, convencer a Alemanha a abrir um bocadinho mais a bolsa.
Desde o princípio que os críticos da “Europa” mostraram a dificuldade de integrar económica, política e culturalmente num organismo único o que se chama, por abuso vocabular, a “Europa” do sul e a “Europa” do leste. A verdadeira Europa sempre começou na Suécia e acabou no norte de Itália e no centro de França. Para Metternich, o Oriente começava às portas de Viena e basta assistir ao que se passa hoje na Roménia, na Hungria e na Polónia para lhe dar razão. Quanto ao sul, embora desejasse melancolicamente ser Europa, não conseguiu ao fim de centenas de anos ser mais do que uma cópia primitiva e deformada de um modelo para ela incompreensível. Basta ler Eça e, por exemplo, Elena Ferrante. O último capítulo de Os Maias, a passagem mais trágica da literatura portuguesa moderna (fim do século XIX) ou o Quarteto de Nápoles (princípio do século XXI), para medir a distância que separa o norte da nossa mediterrânica tristeza.
A “Europa” foi uma utopia que, como o nome indica, não tinha lugar no mundo real. Neste momento, em que ela não passa de uma ruína, ou do anúncio de uma ruína, e em que a fragilidade dos seus fundamentos é pública e notória, convinha perceber o que sucedeu e não perder tempo com gestos vazios para prolongar uma vida condenada, a benefício dos pobrezinhos que se tomam pelo que não são.
Recordo-me de Vasco Pulido Valente quando, nos meus tempos de faculdade, dirigia furiosos ssssshhhhh silenciadores a alguma rapaziada mais irrequieta que frequentava a Biblioteca Nacional. A maior parte das vezes não concordo com o que escreve. O texto que reproduzo, publicado no Observador de hoje e intitulado A UTOPIA DA "EUROPA", é cirurgicamente certeiro. Menos na parte da "mediterrânica tristeza".

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

MOURA: CINCO EM UMA, OU COMO MANTER O RITMO DURANTE TODO O MANDATO...

Cinco decisões importantes na última reunião de câmara.

1. Depois de um longo processo negocial, ficou fechado o acordo referente à cedência da antiga estação ferroviária. A Câmara Municipal de Moura irá reabilitar o edifício numa dupla vertente: terminal rodoviário e hostel. A ideia era antiga, mas anteriores negociações não tinham chegado a resultados palpáveis, por as condições não defenderem os interesses do Município. Segue-se o percurso habitual: conclusão do projeto - obra - entrada em funcionamento. Parte substancial do custo da intervenção (250.000/300.000 €) será garantida pelos fundos comunitários.

2. Renovação do estabelecimento termal. Um processo complexo, que passou por várias entidades (com perspetivas nem sempre coincidentes sobre a reabilitação do imóvel). Custo? Cerca de 900.000 €. A estratégia passa agora por encontrar um parceiro privado para este investimento.

3. Abertura de concurso público para a reabilitação da Torre do Relógio, em Amareleja. Custo? Cerca de 600.000 €. Faz parte das obras candidatada a financiamento comunitário.

4. Abertura do concurso público para a reabilitação do Bairro do Carmo. A habitação social como uma das principais preocupações. Custo da intervenção? Cerca de 370.000 €.

5. E, finalmente, aprovação de um protocolo entre a Junta de Freguesia da Póvoa de S. Miguel e a Câmara Municipal de Moura para a construção de um picadeiro naquela freguesia (a imagem é do célebre mosaico de Torre de Palma). Investimento? Cerca de 350.000 €. Projeto já há. A procura do financiamento é o passo seguinte.

Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre el mar.

Nunca persequí la gloria,
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles,
como pompas de jabón.

Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse…

Nunca perseguí la gloria.

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.

Caminante no hay camino
sino estelas en la mar…

Hace algún tiempo en ese lugar
donde hoy los bosques se visten de espinos
se oyó la voz de un poeta gritar
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”

Golpe a golpe, verso a verso…

Murió el poeta lejos del hogar.
Le cubre el polvo de un país vecino.
Al alejarse le vieron llorar.
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”

Golpe a golpe, verso a verso…

Cuando el jilguero no puede cantar.
Cuando el poeta es un peregrino,
cuando de nada nos sirve rezar.
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”

Golpe a golpe, verso a verso.


Antonio Machado, claro.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O APOIO AOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE MOURA

Entendimento fundamental entre duas instituições.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

STARDUST MEMORIES Nº 7: HERDADE DA CONTENDA

Uma manhã notável, a de ontem, na Contenda. As conversas à hora do almoço remeteram, amiúde, para um passado nem sempre próximo. Na hora da fotografia de grupo, fui convidado a entrar. À minha direita está o meu primo Duarte Macias, à minha esquerda, o meu amigo Artur Torres Pereira, antigo alcaide de Sousel e (hélas!) vice-presidente do Sporting.

Grande parte do grupo é constituído por caçadores belgas. O nome da Contenda vai longe.

O ENSINO DA MÚSICA - AMARELEJA, DIA 11

A Câmara Municipal de Moura promove a 9.a edição do Fórum 21, no sábado, 11 de fevereiro, em Amareleja.

Com o tema “O ensino da Música”, a iniciativa realiza-se às 21:30, na Casa do Povo de Amareleja.


Participam André Caçador, Daniel Batista, Fábio Monteiro, José Peralta, Lúcia Duarte, Marisa Caraça e Mauro Dilema, todos ligados ao ensino da música. Pretende-se com este Fórum 21 debater questões relacionadas com a música da atualidade e o modo como a mesma é lecionada nas escolas e também nas bandas filarmónicas.


Esta é a nona edição da iniciativa “Fórum 21”, promovida pela Câmara Municipal de Moura, que tem como objetivos abordar e discutir os mais variados temas que sejam de interesse para a população e o concelho de Moura.



A NECESSIDADE DE UMA POLÍCIA ESTÉTICA

O tema surgiu, há dias, aqui no blogue, embora eu não tenha explicado todos os contornos da história. Tudo aconteceu, há muitos anos, num congresso em Espanha. Fomos visitar o edifício da assembleia distrital, localizado numa cidade fortemente fustigada pela crise económica e com taxas de desemprego astronómicas. O imóvel era de um luxo insultuoso. Pior, o autor, em homenagem à história milenar da cidade, quisera fazer um edifício que incorporasse todos os estilos arquitectónicos de todas as épocas daquele sítio. O resultado era pavoroso. Nem chegava a ser kitsch...

A Carmen sugeriu "devia haver uma Polícia Estética, que impedisse coisas destas". Não foi necessário. Meses mais tarde, a população em fúria invadiu a assembleia e escaqueirou o edifício. Um verdadeiro ato estético.

Lembrei-me disso, ao ver hoje o facebook de uma amiga. Os anos 70 nunca deviam ter existido...


A minha irmã Júlia teve umas calças assim...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

MAESTRO JOSÉ COELHO - HOMENAGEM

Em quatro imagens se explica a importância do Maestro José Coelho e a perenidade do seu trabalho. Achámos importante retomar músicas suas e gravá-las em diferentes registos. A concretização do projeto não foi fácil e há episódios que ficarão para o meu álbum de memórias. Foi um momento de grande prazer aquela tarde de domingo. Da renovação do monumento que perpetua o seu trabalho (1) se passou ao espetáculo na Sheherazade. Não quero destacar o trabalho de uns em detrimento de outros, naturalmente. Registo três momentos: Carlos Ferreira, registo crooner a acompanhar os Classe Operária, uma banda rock (2). O tema que interpretaram foi retomado, com irreverência, pelos KX Connections (3). No final, o Grupo Coral e Etnográfico do Ateneu Mourense chamou Isabel Cortes, filha do maestro, para cantar a Nossa Senhora do Carmo (4).

No final, fiquei com uma certeza. É desta diversidade, e desta criatividade, que Moura é feita. É por isso que esta terra nunca me deixa indiferente. É assim há 53 anos...

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

CHEGAR A CASA - estreia mundial

Um dos maiores fracassos artísticos de Peter O'Toole (uma interpretação assassina de Macbeth, em 1980) foi um gigantesco sucesso de bilheteira. Recordo-me do meu professor no Instituto Britânico (um australiano, Joseph Tierney, o que será feito dele?...) comentar sardonicamente "Apparently, everyone was very interested to know how Shakespeare had been murdered...".

Lembrei-me disso ao decidir colocar no youtube a minha curta-metragem "Chegar a Casa", que estreou no Festival Islâmico de Mértola (21.5.2015). Lembrei-me também de uma muita jovem amiga ter comentado "é tipo Manoel de Oliveira, com a vantagem de ser muito mais curto", no que não interpretei como um elogio. O meu amigo Sebastião tem a certeza que é um filme de terror. E por aí fora...

Depois das passagens por dois festivais (2º Plateau - Festival Internacional de Cinema, na Cidade da Praia e 10ª edição do Concurso de Vídeo da Fundação Inatel, em Lisboa), chegou a hora de uma difusão mais ampla.

O argumento de "Lethe", uma ficção sacrificada às prioridades autárquicas, será retomado um destes dias.



Equipa do filme (por ordem alfabética):

Abdallah Khawli - locução
Azeneide Batista - atriz
Badr Hassanein - traduções
Fábio Moreira - fotógrafo de cena
Fernando Inverno - construção do cenário
Guilhermina Bento - adereços
Hélder Coelho - assistente de imagem
Isabel Martins (aka Maria Antónia Cardigos) - guarda-roupa
Joaquim Simões (aka Joaquim Montargil) - música original
Joceline Cabral - atriz
Jorge Murteira - imagem, edição e pós-produção áudio e vídeo
Jorge Sales - registo de som
Luís Moreira - grafismo
Manuel Passinhas da Palma - cenário
Percida Camara - atriz
Sana Contá - ator
Santiago Macias (aka Ibrahim Kanara) - argumento, produção e realização

São devidos agradecimentos a Antónia Baião (Escola Profissional de Moura), a Daniel Sasportes, a José Moças (TRADISOM), a  Mercedes Cerón (REFER), a Rui Madruga e à TVM designers.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

DJ - POST GERIÁTRICO

Ontem, no Congresso de DJ, em Moura, perguntei aos participantes se aquilo que Malcom McLaren (1946-2010) fazia em tempos, como em Buffalo Gals, tinha alguma a coisa com o trabalho deles. Ou seja, o que é que hoje de faz tem a ver com aquele tipo de sampling. Olharam uns para os outros "Malcom quê?". Ninguém ouvira falar em Malcom Mc Laren... Foi terrível. Senti-me, por momentos, na ante-câmara da decrepitude...

Malcom McLaren (à esquerda), quando era manager dos inesquecíveis Sex Pistols.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

FIM DE TARDE NO PICADEIRO REAL

O Presidente da República teve a feliz iniciativa de convidar os presidentes de câmara para um evento cultural, que ontem teve lugar no Picadeiro Real (antigo Museu dos Coches). Assinalam-se, assim e de forma simbólica, os 40 anos de Poder Local Democrático. As palavras que proferiu foram de proximidade e de valorização das autarquias. Traduziu o que sentia numa palavra: gratidão. Ouvi coisas que me são familiares: tarefa difícil, dedicação, problemas etc. Mas também outras que se sentem, embora as ouça menos: dever cumprido, promessas concretizadas, problemas ultrapassados etc. No final de mais uma semana densa e muito difícil, o recital de Carlos do Carmo (não cantou o fado Júlia Florista, que estava no alinhamento, mas interpretou um de Marceneiro, sem usar a amplificação sonora!) foi um remate de alta qualidade.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

E JÁ QUE FALAMOS EM MUSEUS...

O tema museus desperta sempre grande interesse num certo setor da minha terra. Gosto que as pessoas se interessem por estes temas. Em especial, porque neles trabalhei em tempos.

Vem isto a propósito de um projeto que foi anunciado em 1.9.2015. Refiro-me ao Museu d'Amareleja. Escrevi na altura: "Um museu faz sentido na Amareleja? Faz, claro. Ainda para mais assumindo-se como museu do território ou de afirmação identitária" (v. texto completo aqui). A ideia continua a ser pertinente e a fazer todo o sentido. No entanto, quase 17 meses volvidos, o projeto parece ter caído no esquecimento. Ou não?

Tal como em tempos fiz notar, é essencial ter em conta:

* Designação de curador ou comissário científico;
* Local da exposição (permanente e/ou temporária?);
* Guião da exposição, com definição de conteúdos programáticos e de áreas temáticas;
* Equipas técnicas de apoio (museografia, design gráfico, montagem, iluminação etc.);

Há local?
Há planta do local?
Há guião?
Há orçamento?
Há responsável técnico?

Um museu não pode ser uma-coisa-qualquer. Ou uma sala com meia dúzia de objetos, que um museu não é isso! O nosso concelho merece mais que uma sala qualquer a fingir de museu.

Há dias seguiu oferta para, a título gracioso, orientar este projeto. Bem sei que ninguém é profeta na sua terra, mas...

O autor do blogue, com o inesquecível Luís Campos, durante a montagem, em Rabat, da exposição Marrocos-Portugal: portas do Mediterrâneo (novembro de 1999...). Comissariado partilhado com Maria da Conceição Amaral e com Cláudio Torres.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

QUAL A MOURA QUE QUEREMOS? - nº 5

O Parque de Leilão de Gado foi um dos processos mais longos e complicados de resolver. Uma vez mais, foi necessário tomar decisões e concluir a obra.
Constitui a peça de fecho de um longo processo de modernização do Parque Municipal de Feiras e Exposições. Mais uma vez se colocou a questão: que fazer? deixar o espaço das feiras num permanente improviso? não fazer o parque? investir em tendas? gastar o dinheiro em animação musical? As questões estruturais devem sobrepor-se às conjunturais. É tão simples quanto isso.

Custo da intervenção - 465.436,13 €
Financiamento FEDER - 395.620,71 €
Financiamento Câmara Municipal de Moura - 69.815,42 €

Estava melhor assim?


Ou preferimos ver a nossa cidade assim?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

MAESTRO JOSÉ COELHO


O momento ficou-me gravado. Porque a um som colorido se contrapunha o silêncio. Acontecia sempre no momento da comunhão. O maestro José Coelho, que acompanhava a missa tocando órgão, dirigia-se ele mesmo ao altar para receber a hóstia. Ouvia-se então apenas o som das vozes para o órgão retomar o seu curso quando ele voltava, sempre apressadamente, para o seu lugar.

Não foi meu professor de música na escola, porque em 1973 fui para Lisboa. Via-o muitas vezes na Escola Industrial, onde leccionava e onde a minha mãe trabalhava. Desapareceu prematuramente, deixando boas recordações a tanta gente da nossa terra. E se o 2 de fevereiro é uma data importante na vida do maestro, juntemos então esse marco à elevação de Moura a cidade. A ideia foi sendo trabalhada, até tomar forma, num percurso dificíl, lento e marcado, até, por pequenas intrigas. O que se fez? Pegar na obra de José Coelho e dar-lhe diferentes roupagens musicais. Quem participa? Músicos de Moura, uma terra que tanto lhe deve. Dezena e meia de músicos reinterpretam temas seus. Composições há muito esquecidas são agora retomadas. Outras, que fazem parte do nosso quotidiano, são uma vez mais gravadas. Quem toca? Músicos do Conservatório, as filarmónicas da vila e uma banda rock. Quem canta? Grupos corais, fadistas, agrupamentos de música popular. Um projeto que envolveu largas dezenas de pessoas e que vai culminar no dia 5 de fevereiro. Nesse dia, será reinaugurado o monumento em boa hora mandado fazer pela Câmara Municipal. Um necessário “lifting” para redignificar o espaço, com um novo projeto de iluminação. Segue-se uma festa de homenagem na Sheherazade.

A preservação da memória é uma facto essencial. Homenagear os nosso melhores é algo que fazemos de forma empenhada e convicta. Com orgulho e com prazer.


Facto crucial no percurso deste nosso músico há muita desaparecido: a obra perpetua a sua presença entre nós. As suas músicas continuam a ser cantadas e a passar de geração em geração.  Haverá algum mourense que não saiba cantar a “Nossa Senhora do Carmo”? Um só, digam-me... Pergunto então que melhor homenagem poderia alguém querer do ganhar o reconhecimento de uma comunidade através da música. É também por isso, por tudo o que lhe devemos, que lhe dedicaremos a próxima Feira do Livro.

Crónica publicada hoje em "A Planície"

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A MÃO - MODO DE USAR

Diz-se em língua gaulesa "un sommet du kitsch". Este edifício no Saldanha e a célebre silla-mano do mexicano Pedro Friedeberg têm em comum um certo absurdo. Uma querida amiga de Granada, que não vejo há muitos anos, defendia a existência de uma Polícia Estética, destinada a evitar "certas coisas". A ideia de policiar o gosto não me merece qualquer simpatia. Até porque podemos sempre tirar partido das situações. Ontem, fartei-me de rir sozinho, enquanto olhava a mão amiga que suportava o prédio...



segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

MOURALUMNI - 1 A 10

E eis que chegámos à dezena de ALUMNI. O projeto tem sido um assinalável sucesso. Fica claro que querer é (quase) poder. Muitos dos jovens que de Moura sairam com esforço e dificuldade são um exemplo de vontade. A esta dezena muitos outros se juntarão. Para os próximos meses estão previstos uma médica, um matemático, um ator, talvez uma juíza. Mourenses por esse Portugal fora. E que nunca esqueceram, nem esquecerão, o sítio de origem.

1. Arsénio Fialho, professor universitário (IST)
2. Elisabete Pato, jornalista
3. Francisco Caldeira, piloto da aviação comercial (TAP)
4. Carlos Valente, gestor (diretor-geral da Pionner)
5. Carlos Campaniço, escritor e programador cultural
6. Carlos Silvestre, professor universitário (IST)
7. Zélia Parreira, bibliotecária (diretora da Biblioteca Pública de Évora)
8. Francisco Moita Flores, escritor e investigador
9. Jorge Felisberto Lopes, funcionário do Comité Olímpico Internacional
10. José Eduardo Cavaco, professor universitário (UBI)


sábado, 28 de janeiro de 2017

MOURA MUSICAL: DO MAESTRO JOSÉ COELHO AOS DJ

O que é que Moura tem? Tem música nova, tem. Tem vibração, tem. Assim como no célebre samba de Dorival Caymmi.

O fim de semana de 4 e 5 vai ter trepidação q.b.. Primeiro são os DJ do concelho, que estarão em força no II Congresso Municipal: Daniel K; Giff; Shark; Luigi; L-Beatz; Sunlize; Xinha; Vith; Jhy e Big Fella. O programa é extenso, e não primará pelo silêncio. São horas a fio em tornos de novas formas de expressão.

Num ambiente mais formal decorrerá a homenagem ao Maestro José Coelho, que terá lugar na tarde de domingo, dia 5. Recordemos um dos homens que mais impressivas marcas deixou no nosso concelho. As músicas deles são cantadas centenas de vezes, todos os anos.

Comemoramos os 29 anos de cidade sem pompa, nem formalidade? É verdade, mas o pulsar de Moura passa por aqui.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

MOITA MACEDO NA FUNDAÇÃO ARPAD SZENES-VIEIRA DA SILVA

Um final de dia meio inesperado, com a inauguração da exposição O traço com que firo as minhas telas, de Moita Macedo, um magnífico trabalho de curadoria de Fernando António Batista Pereira. A espontaneidade do artista e o seu pendor gestualista ficam bem evidenciados na escolha dos materiais, bem como no interessantíssimo material do espólio pessoal de Moita Macedo.

Não pude deixar de sorrir ao ver que o site da fundação anuncia a projeção do filme Moita Macedo - pintor e poeta na revolução, de Santiago Macías... Tenho, assim, honras de destaque, através de um documentário rodado no início de 1981 e concluído em julho de 2013. 36 anos se passaram. Nunca me passou pela cabeça que um dia o ingénuo documentário seria exibido numa prestigiada fundação...

Ver - http://fasvs.pt